Seminário GPEARI/DGE analisa impacto macroeconómico do aumento da despesa em defesa na NATO

Estudo com o modelo NiGEM simula efeitos em 16 países da Aliança, com foco em Portugal.

Imagem genérica de gráficos económicos e mapa da Europa.
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Imagem genérica de gráficos económicos e mapa da Europa.

A 119ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE analisou, no passado dia 22 de outubro, o impacto macroeconómico do aumento da despesa em defesa nos membros da NATO, utilizando o modelo NiGEM.

A apresentação, realizada por João Leal (CFP), Luís Guia (GPEARI) e Miguel Andrade (GPEARI), partiu do compromisso assumido na Cimeira da NATO em Haia, em junho de 2025, de elevar a despesa em defesa para 3,5% do PIB até 2035. Portugal, atualmente a 1,4 p.p. da meta, viu os autores simularem o impacto deste reforço em 16 países da Aliança.
O estudo recorreu ao NiGEM, um modelo macroeconétrico global, comparando cenários com diferentes composições de despesa e níveis de coordenação entre países. A análise enquadra-se na literatura recente, como o relatório de Ethan Ilzetzki, que sugere que o reforço da despesa em defesa tende a expandir a atividade nas economias avançadas, embora a resposta do consumo e investimento privados dependa do financiamento e da política monetária.
Para Portugal, os resultados indicam um impacto positivo, mas moderado. No cenário de referência, com dois terços do aumento em investimento público, o PIB situa-se, em média, 0,53% acima do cenário base entre 2027 e 2035. O investimento privado é estimulado, mas o consumo das famílias recua devido ao ajustamento orçamental após o financiamento inicial por dívida.
A coordenação entre aliados reforça as exportações portuguesas (+0,86 p.p.), mas o ganho adicional no PIB é modesto (+0,09 p.p.). A composição da despesa é determinante: privilegiar o investimento público em detrimento do consumo gera efeitos mais persistentes no PIB e duplica o impulso ao investimento privado.
Os autores ressalvaram que as simulações são ilustrativas e não captam todos os ganhos de produtividade. Notaram ainda que o encarecimento do financiamento acentuou a tensão entre a despesa em defesa e outras prioridades orçamentais.
Informação elaborada a partir da fonte oficial: GPEARI — Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (23/10/2026)